Situada na medieval vila de Ponte de Lima, a Casa de Crasto, datada do século XVII, de família de tradições, alberga várias lendas e tesouros, associadas à história local.

A Casa de Crasto, cuja característica dominante é uma interessante torre. Situada na freguesia de Ribeira, foi pertença, no século XVII, de Francisco de Mello Pereira, cavaleiro de Hábito de Cristo e filho de Lapa de Mello Pereira Maltês, comendador de Sregin e Santáo, que serviu o rei D. João IV.

Esta casa antiga foi recuperada para turismo de habitação, preservando a arquitectura secular, dispondo de salas confortáveis, de calorosa cozinha e convidativa varanda com colunatas de pedra, acolhendo os hóspedes com deliciosas iguarias de cozinha tradicional do Minho. A localização da Casa de Crasto permite usufruir de um conjunto de atividades culturais e desportivas do concelho de Ponte de Lima, e da encantadora região do Vale do Lima.

Alojamento

  • 1 x Apt. x4 - Desde 168.00€ / noite
  • 3 x Duplo - Desde 96.00€ / noite
  • 3 x Twin - Desde 96.00€ / noite

Características

  • Adega
  • Biblioteca
  • Estacionamento
  • Fala-se espanhol
  • Fala-se francês
  • Fala-se inglês
  • Golfe
  • Jardins
  • Lareira
  • Passeios a Pé
  • Pesca
  • Provas de vinho
  • Refeições mediante solicitação
  • Sala de TV
  • Sala para conferências

Localização

Crasto

1266 TH

Na saída de Ponte de Lima para Ponte da Barca, deparamos com a Casa de Crasto, cuja característica dominante é uma interessante torre. Situada na freguesia de Ribeira, foi pertença, no século XVII, de Francisco de Mello Pereira, cavaleiro de Hábito de Cristo e filho de Lapa de Mello Pereira Maltês, comendador de Sregin e Santáo, que serviu o rei D. João IV.

A história do primeiro senhor da casa é curiosa e bem poderia servir de inspiração para um enredo de tragicomédia. Francisco de Mello Pereira casou com D. Genebra de Jãcome Calheiros, filha do senhor da Casa de Calheiros, que acusou o marido de impotência, negando-se assim a viver em sua companhia. Sendo a questão judicial julgada a favor do marido, dirigiu-se este a Calheiros, acompanhado dos seus irmãos e criados para trazer a sua mulher à força. Aparecendo na casa, foi logo morto com um tiro. A cunhada, D. Maria Fagerdas, vendo isto, começou a gritar da janela, chamando pelos criados. Estes acudiram em tão grande número que os Mellos bateram em retirada, mas não sem que, na refrega, ficassem mortos não apenas o marido de D. Genebra, como o seu irmão Frei José dos Anjos, Garcia de Mello Pereira e um criado. D. Genebra e a mãe recolheram-se num convento de Viana e ás criados refugiaram-se na Galiza.

Passadas décadas, outro dos seus proprietários, Francisco José Barbosa Perre, danificou a casa à procura dum presumível tesouro. Para as obras de restauro que se limitaram à substituição da capela pela torre, Francisco Perre teria encarregado o arquitecto Alípio Pereira Maia. Hoje, a casa pertence a Gracinda da Conceição Pimenta Lopes, que acolhe os hóspedes em instalações recuperadas e funcionais.

In Solares de Portugal A arte de bem receber , Edições INAPA, 2007

HISTORIAL

A Casa de Crasto, situada na Freguesia da Ribeira, foi pertença, no Séc. XVII, de Francisco de Mello Pereira, cavaleiro de Hábito de Cristo, filho de Frei Lopo de Mello Pereira Maltês, Comendador de Sregin e Santão, que serviu o Rei D. João IV nas guerras de Aclamação, e de D. Maria Ferreira de Eça.

Francisco de Mello Pereira, casou com D. Genebra de Jácome Calheiros, filha do senhor da Casa de Calheiros que acusa o marido um pleito escandaloso de impotência, negando-se a viver em sua companhia. Sendo a questão judicial julgada a favor do marido, dirigiu-se este a Calheiros, acompanhado dos seus irmãos e criados para trazer a sua mulher à força. Aparecendo na casa do tio Baltazar Calheiros, escrivão da Câmara, foi logo morto com um tiro. A cunhada, D. Maria Fagerdas, vendo isto, começou da janela a gritar, chamando pelos criados que malhavam o centeio na eira. Estes acudiram em tão grande número, que os Mellos bateram em retirada mas não sem que na refrega ficassem mortos Francisco de Mello, marido de D. Genebra, seu irmão Frei José dos Anjos, Cónego Regular de S. João Evangelista, Garcia de Mello Pereira e um criado. D. Genebra e sua mãe recolheram-se num convento de Viana; os criados homiziaram-se na Galiza. Houve ruidosa devassa que terminou com o apaziguamento das partes casando Luís de Mello Pereira com sua cunhada D. Genebra.

A Luís de Mello Pereira sucede, na Casa de Crasto, D. Maria de Albuquerque, sua segunda mulher, filha de D. Leonor Barreto e António de Crasto de Albuquerque por não haver geração de ambos os casamentos. A 18 de Agosto de 1715, D. Maria de Albuquerque vinculou a casa em testamento, a João Malheiro Pereira, I Administrador do vínculo e fidalgo da Casa Real, casado com D. Senhorinha Pereira de Castro. Sucedeu-lhe na casa António Luís Pereira Malheiro, fidalgo da Casa Real, por alvará de 23 de Janeiro de 1723, que casou com D. Ana Pereira de Castro de Lira. Passou para seu filho João Malheiro Pereira de Távora Castro e Lira, fidalgo da Casa Real por alvará de 12 de Fevereiro de 1755, Capitão Mor de Ponte de Lima, casado com D. Maria Joana de Abreu Coutinho.

Em 1813 esta casa é referenciada na correspondência do I Conde e III Visconde de Mesquitela a sua mulher. Eis um extracto da carta número 15, publicada no Almanaque de Ponte de Lima de 1980, página 218: 'Domingo temos uma merenda no jardim dum cavalheiro desta Vila em nosso obséquio. O jantar de João Malheiro foi esplêndido, houve passeio de tarde; à noite partida de voltarete e, no fim de tudo, uma bella cêa que não se esperava. Bebemos à tua saúde em formalidades, e todos os dias o fazemos em amizade'. (...)

Morrendo João Malheiro sem geração, passou a casa para seu primo, Martinho de Távora de Castelo Branco de Avillez, casado com D. Maria Antónia Menezes. A casa passa para sua filha D. Sebastiana Augusta Pita de Noronha.

Em 1840 houve a desvinculação da Casa.

Gonçalo Pires da Bandeira Calheiros Mascarenhas de Noronha, neto de D. Sebastiana, vende em 20 de Janeiro de 1896, a Casa a Francisco José Barbosa Perre que a danificou à procura dum presumível tesouro.

Para as obras de restauro que se limitaram à substituição da Capela por uma torre, Francisco Perre teria encarregado o Arquitecto Alípio Pereira Maia.

Em 1917, Miguel Gerónimo Pinto, sem geração, passa a casa para os sobrinhos - netos Amélia Maria Pimenta Lopes, Maria Augusta Pimenta Lopes e Gracinda da Conceição Pimenta Lopes, que procederam a novas obras de restauração.