No centro histórico da vila medieval de Ponte da Barca, surge a Casa do Correio Mor, com um majestoso enquadramento, avistando o vale, o rio Lima e o Parque Nacional da Peneda-Gerês. De origem seiscentista, destaca-se o panorama das nove sacadas filipinas em ferro forjado, em tempos associadas à igreja matriz. A família da casa dos Lacerdas e Megre , recuperou o património arquitetónico adaptando para turismo de habitação, em 1999. A história da casa, nos princípios do século XIX, testemunha a história do seu proprietário, importante Correio-Mor da região.

A casa oferece dez quartos confortáveis, sala de leitura e lareira, sala de jogos e adega com vinho verde. A sua localização estratégica no seio da região do Minho, permite descobrir a gastronomia tradicional e os produtos deliciosos desta terra fértil, dispondo de um conjunto de actividades de animação, desde passeios na natureza e itinerários culturais, canoagem, cicloturismo, turismo equestre, golfe e percursos pedestres encantadores.

Alojamento

  • 4 x Duplo - Desde 90.00€ / noite
  • 2 x Twin - Desde 90.00€ / noite

Características

  • Biblioteca
  • Bilhares
  • Fala-se espanhol
  • Fala-se francês
  • Fala-se inglês
  • Ginásio
  • Jacuzzi
  • Jardins
  • Passeios a Pé
  • Piscina
  • Sala de jogo
  • Sauna
  • Ténis de mesa

Morada

Rua Trás do Forno, n.º 1

5849 TH

Situada no centro histórico da vila medieval de Ponte da Barca, a Casa do Correio-Mor também conhecida por "Casa dos Lacerdas" é um solar do século XVII com uma vista soberba sobre o Rio Lima, recortado ao longe pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Destacam-se nove sacadas filipinas, viradas a Norte e Poente em ferro batido, que a distinguem de outras asas senhoriais da época.

Começou a ser designada por Casa do Correio-Mor nos princípios do século XIX pois o seu proprietário, António Pereira da Costa Lacerda e Mello, foi designado Correio-Mor de toda aquela área.

A casa dava acesso a capela própria com pedra de armas na entrada exterior e que mais tarde foi integrada na Igreja Matriz, monumento com altar barroco do século XVIII.

Os actuais proprietários, Lacerda e Megre, descendentes dos donos originais da casa, concluíram o seu restauro adaptado ao turismo de habitação, durante o Verão de 1999.

A casa dispõe de dez quartos requintadamente mobilados, com aquecimento central; sala de leitura com lareira; bar e adega; os mais novos podem também divertir-se na sala de jogos, com mesa de snooker, pingue-pongue e matraquilhos.

A Casa do Correio-Mor pode hoje ser considerada como a Casa Mãe de uma numerosa família constituída por 60 membros. Todos os anos, durante as férias, têm por tradição reunirem-se, altura em que reina um ambiente alegre, tradicional e familiar.

Esta região de célebre gastronomia minhota, oferece a possibilidade de inúmeros passeios e visitas, e actividades como canoagem, BTT, hipismo, golfe, e circuitos pedestres nas serras próximas.

In Solares de Portugal A arte de bem receber , Edições INAPA, 2007

HISTORIAL

A Casa Nobre do Correio-Mor - também conhecida pela Casa dos Lacerdas - é um edifício do século XVII, com três pisos e sótão, destacando-se nove sacadas filipinas, viradas a Norte e Poente em ferro batido, que a distinguem de outras casas nobres da época. A casa dava acesso a capela própria com pedra de armas na entrada exterior e que mais tarde foi integrada na Igreja Matriz, monumento com altar barroco do século XVIII.

Começou a ser designada por Casa do Correio-Mor nos princípios do século XIX, pois o seu proprietário, António Pereira da Costa Lacerda e Mello foi designado Correio-Mor de toda aquela área. A prová-lo, está a existência de argolas em ferro forjado cravadas em quase todas as ombreiras das várias portas viradas para o exterior e até no pátio de entrada (atapetado de interessante desenho com gogo do rio) e ainda o desgaste das lajes da entrada, revelam que as diligências ali entravam e permaneciam com o correio a distribuir a Norte da região. O animal de tracção era preso na referida argola, podendo notar-se o desgaste na pedra da ombreira onde se encontra cravada. Este proprietário da casa era Senhor de muitos bens e várias casas, designadamente a Torre de Quintela, de Pereiras de Lacerda. Porém, na Casa do Correio-Mor pode ver-se na pedra de armas a cruz de Pereiras e os símbolos armoriais dos Castros, Cerqueiras e Magalhães. Daí se conclui que os Lacerdas nunca foram originários desta casa, mas apenas por casamento.

António Pereira da Costa Lacerda e Mello casou a primeira vez com Dona Ernestina Passos Pimentel de que houve um filho, António Lacerda e Mello, morgado, que ficou com grande parte das casas e terras. Casou em segundas núpcias com outra nobilíssima senhora, D. Angélica Joaquina Teixeira de Queirós Botelho de Almeida e Vasconcelos (descendente dos Carvalhos de Basto), de que surgiram três filhos: José, Francisco e António Maria Teixeira de Queirós Lacerda e Mello. O José Lacerda foi administrador do concelho e casou com a fidalguíssima senhora da Casa de Pias (Portal de Pias - Monção), D. Ana Pereira Pimenta de Castro - irmã do General Pimenta de Castro, Presidente do Concelho de Ministros em 1914, quando era Presidente da República Manuel Arriaga. Tiveram dois filhos, que foram donos de metade da casa: António e Angélica de Queirós Lacerda, tendo esta casado com o Dr. João dos Santos Megre, donde surgiu um filho - José Pimenta de Castro de Lacerda e Megre.

Chegamos finalmente ao Patriarca da Família Lacerda e Megre. Nascido em 1909 nesta casa, onde foi educado por tri-Matriarcado: sua mãe (Avó Gequinha), avó (Avó Nanana) e tia (Tiínha) até se ausentar para Coimbra, onde se formou em direito em 1932.

Foi numa serenata ao luar, com sua voz de Pavaroti do Fado que conquistou a nossa Matriarca D. Alda Pereira Neves, menina nascida e criada em África, das poucas que estudavam na Faculdade de Ciências. casaram em 1935 na Basílica de Fátima deu origem a cinco filhos, que por sua vez, proliferaram, aumentando a família para 15 netos e 9 bisnetos. Os anfitriões desta casa faleceram nos anos de 1992 e 1995, respectivamente, deixando todo o património à globalidade dos seus descendentes, com a condição deste permanecer sólido e indiviso, numa missão eterna de encontro entre gerações.

Tradição Familiar

A Casa Nobre do Correio-Mor, pode hoje ser considerada como a Casa Mãe de uma numerosa família constituída por 60 membros. Todos os anos, durante as férias, têm por tradição ocupar a casa e passar o tempo que lhes for possível com a família, já que, devido aos locais de residência (Porto e Lisboa) só nestas épocas se poderão reunir. Nessa altura toda a casa se transforma num ambiente festivo, alegre, tradicional e harmoniosamente familiar. Todas as gerações estão presentes, matando saudades dos primos, tios, sobrinhos, cunhados, irmãos e antigamente dos pais e avós e bisavós.

Nesse tempo, festas de anos, datas de casamento, Engarrafamento, S. Bartolomeu, Feiras Novas, Vindimas, Páscoa, Carnaval, Dias de Fiéis Defuntos, S. Martinho e Natal serviam de pretexto a encontros familiares festivos, chegando a reunir 48 Pais, Filhos, Netos e Bisnetos vindos de vários pontos do país. É de realçar o dia de Páscoa com a visita da Cruz manuelina - jóia única e preciosa na posse do Abade da Paróquia - que era entregue ao dono da casa para a dar a beijar a todos os presentes, entre cânticos maravilhosos adequados à época, entoados por toda a família e aderentes, o que constituía uma manifestação de Fé Católica, sempre presente em todas as gerações que por esta casa passaram.

Em todos estes encontros as refeições eram servidas numa enorme mesa à qual presidiam os dono da casa - o Pai e a Mãe Lacerda e Megre - e onde se sentavam prioritariamente os mais velhos e/ou casais, ficando a chamada juventude instalada na copa , entre a sala de jantar e cozinha. O intercâmbio entre estes três locais de repasto era fantástico, contando com a participação não só das quatro gerações, mas também do pessoal da cozinha, que já faziam parte da família. Contavam-se histórias e piadas, reviviam-se situações, discutiam-se importantes assuntos familiares e, quase sempre, na altura das sobremesas e divinos licores caseiros, a alegria proporcionada pelo vinho produzido na adega da casa e oriundo da Quinta dos Casais, originava as famosas desgarradas minhotas entre estes três locais. O facto de ir para a Mesa Grande , se por um lado constituía um privilégio para os mais novos, significava, por outro uma postura exemplar repleta de etiqueta. No fim das refeições todos vinham beijar os participantes da Mesa Grande , dizendo baixinho enquanto se benziam: «Obrigado Jesus por tudo o que me deste». Após a morte dos donos da casa, todas estas tradições se têm mantido, sentando-se no lugar do Pai, Avô e Bisavô, o descendente masculino mais idoso, e na cadeira da Mãe, Avó e Bisavó, a menina mais velha que tenha sangue da família e não apenas afinidade.

Porém, com o decorrer dos anos, as estadias da família foram-se dispersando, verificando-se em períodos que coincidiam cada vez menos, devido à vida profissional e escolar dos seus membros. Esta constitui uma das razões da formação de uma Sociedade Familiar que mantivesse unida toda a família.