Tipo:
Quintas e Herdades
Proprietário:
Maria Margarida Corrêa de Barros Baltar
Contactos:
Email maragoca@solaresdeportugal.pt
Alojamento:
4 alojamento(s) Apt. x2 - 80 EUR/noite
1 alojamento(s) Duplo - 80 EUR/noite
2 alojamento(s) Twin - 80 EUR/noiteRESERVE JÁ
Situada perto das termas de S. Vicente, no caminho de Penafiel para Entre-os-Rios, a Quinta da Maragoça, é uma casa do século XVIII que oferece uma ampla vista panorâmica da paisagem do Douro Litoral. Trata-se de um verdadeiro lugar de bem-estar e lazer, onde além de se poder desfrutar de passeios a pé ou de bicicleta, pode-se ainda, usufruir de um pequeno “spa”, que inclui sala de “fitness” e sauna, sala de massagem terapêutica e tratamentos. E para quem privilegia o termalismo, poderá sempre aproveitar o que de melhor oferecem as termas locais, recentemente recuperadas. As Termas de S. Vicente ficam a 500 metros da Casa. Aqui, encontram-se histórias e “estórias” de diferentes séculos, um verdadeiro passeio pelo período Barroco.
Do Porto siga pela A4 até Penafiel-Sul/Enre-os-Rios. Siga pela EN 106 na direcção de Entre-os-Rios até Oldrões (semáforo). Aí vire à direita na EN 590, em direcção a Valpedre e a cerca de 1,5 km encontrará à sua direita a Quinta da Maragoça.
Coordenadas GPS
N 41 ° 07 '43.9 "
W 08 ° 18 '24.1 "
No caminho para Entre-os-Rios, a Quinta da Maragoça é uma casa acolhedora do século XVIII, que surge majestosa num lugar de onde se aprecia uma bonita vista sobre a paisagem do Douro litoral.
A entrada da casa, imponente, com a fachada pintada de um bonito amarelo-ocre, ostenta em cima do portal o brasão de armas do seu fundador.
Este brasão que, ao que parece, esteve na capela da casa desde tempos imemoriais, foi possuído por uma família distinta, sendo o último detentor Manuel da Cunha Brandão, descendente de D. Afonso V.
Os primeiros registos impressos da actual Casa da Maragoça datam do princípio do século XVII, e o conjunto arquitectónico, do primeiro quartel do século XVIII, deve-se a José Rodrigo Cardoso da Rocha, abade de São Miguel de Fontelas.
Reza ainda a história que no século XII os monges do Paço de Sousa cederam a D. Ugo, bispo do Porto, esta casa destinada a residência do senhorio ou a algum dos seus sucessores da Sé do Porto.
Hoje, sabe-se apenas que o brasão, cujas peças heráldicas incluem um chapéu de bispo em relevo fortemente destacado, justificam o sinal de posse.
A frontaria da casa, simples e harmoniosa, é ornamentada por cantaria fértil em borlas e requebros sóbrios nas varandas do andar nobre, sendo estas borlas mais uma referência presbiterial.
Uma escadaria de dois lanços dá acesso à capela, cujo altar-mor em talha dourada é de rara beleza.
Os azulejos azuis e brancos do século XVI foram a parte debaixo da capela, toda em cantaria, com pia baptismal em granito, sobriamente trabalhado.
A casa foi toda restaurada e a actual proprietária, Margarida Corrêa de Barros Baltar, tem gosto em receber os hóspedes que aqui procuram sossego.
Uma casa requintada, onde além de se poderem dar passeios a pé ou de bicicleta, pode-se ainda desfrutar de piscina e campo de ténis.
A calma das árvores, o canto dos pássaros, o murmúrio das águas das fontes conferem uma certa magia a todo o conjunto e aos jardins de buxo, dignos de serem admirados.
In “Solares de Portugal – A arte de bem receber”, Edições INAPA, 2007
HISTORIAL
A actual casa da Maragoça (casa principal da Quinta da Maragoça), cujos primeiros registos impressos datam do princípio do sec. XVII como "Casal da Maragoça", situa-se a cerca de 8 km de Penafiel, a 2 km da estrada nacional que de lá segue para Entre-os-Rios.
O conjunto arquitectónico da actual Casa da Maragoça, do primeiro quartel do sec. XVIII, deve-se ao Dr. José Rodrigo Cardoso da Rocha, abade de S. Miguel de Fontelas(Penaguião-9 e é constituído por dois pisos com cerca de 250 m2 cada um.
A entrada da casa ostenta em cima do majestoso portal, o brasão de armas do seu fundador.
Além do brasão hieraldicamente curiosíssimo, onde aparecem os Rochas Brandão e Cardosos, um elmo com o timbre respectivo e uma coroa de nobreza da qual saiem as borlas do chapéu de bispo; o heráldico portão é encimado por três estátuas em granito que o tempo patinou (certamente Deuses ou Virtudes). De notar que é raro um portal com três figuras.
A entrada em meia lua tem azulejos de padrões policromos (azul e amarelo) do sec. XVII emolduradas com cabeças de anjo e flores de liz nas mesmas cores. O conjunto estende-se ao longo do portal por cerca de 40 metros.
A frontaria da casa simples e harmoniosa é ornamentada por cantaria fértil em borlas e requebros sóbrios e graciosos, nas oito janelas e três portas com varanda no andar nobre. Atente-se as borlas como referência presbiterial e abacial.
Uma escadaria de dois lanços divergentes dá acesso à Capela no primeiro lanço e à entrada principal da casa no segundo, cuja porta tem um frontão trabalhado em arco, coroando a fachada principal.
No interior da Capela, o altar-mor é em talha doirada de rara beleza, lavrado em motivos fitomórficos e religiosos (p.ex. o Espírito Santo na porta do Sacrário).
Os azulejos azuis e brancos do sec. XVI forram a parte de baixo da Capela, toda em cantaria, com pia baptismal, pia de aágua benta e uma fonte com motivo antropomórfico a deitar água numa vieira, o granito é sobriamente trabalhado. O tecto é pintado com o brasão do Abade de São Miguel de Fontelas - escudo partido; no 1º quartel as armas dos Rochas: de prata uma aspa de vermelho, carregada com cinco vieiras de ouro; no 2º quartel as armas dos Cardosos: em campo de vermelho, um cardo florido e enraizado de prata, ladeado por dois leões rompantes. Timbre ( de Rochas): a aspa do escudo carregada de uma vieira do escudo
A Capela, bem como o portal, materializam de modo sensível dois imortantes atributos do senhor, segundo os regulamentos em uso. Nas traseiras, a escadaria de um só lanço em frente ao tanque, dá acesso à varanda envidraçada, a qual corre ao longo de toda a parte traseira do andar nobre da casa. O tanque, já do princípio do sec. XX (1915/1920) feito pelos Viscondes de Francos, é uma fonte de água de mina corrente.
Segundo o Padre Moreira da Rocha no estudo "S. Tiago de Valpedre - Penafiel" a Casa e Capela adjunta da Maragoça "constituem o mais formoso conjunto arquitectónico construído em Valpedre e sem igual nas redondezas".
Interiormente, o andar nobre desdobra-se em duas salas na entrada principal, na varanda envidraçada, em vários quartos, na sala de estar e sala de jantar, com várias peças genuínas das diferentes épocas.
Notáveis também os tectos em maceira de castanho recobertos à maneira dos "fingidores" da época (sec. XIX). As varandas dos quartos e toda a fachada principal, dão sobre o belo jardim formal, em buxo, num vale a nascente, desenhado pela Companhia Hortícola do Porto nos finais do sec. XIX. Classificado pelo IPPAR como monumento (Nr: IPA 131160042) consta do inventário do Património Arquitectónico DGEMN bem como foi declarado todo o conjunto de relevante valor arquitectónico pela DGT.
O Conjunto com o Assento Agrícola
Pode-se considerar a actual Quinta da Maragoça em três núcleos estruturantes.
O edifício principal, já acima vastamente descrito, de planta em forma de U com base alongada, rematado a nordeste pela cozinha e a sudoeste pela capela.
O palheiro, implantado em local bem insolado, numa cota elevada,como é usual, com uma cércea de dois pisos encimado por uma cobertura de duas águas, limita, pelo lado norte, a eira empedrada que lhe é contígua.
Mais acima, na encosta armada em socalcos, o assento agrícola forma um conjunto composto por quatro entidades:
- a velha cozinha de um só piso, coberta por um telhado de três águas, forma um volume autónomo mas contíguo à casa dos caseiros, desenvolve-se em torno de enorme lareira em granito, cuja chaminé apoia sobre pilares de pedra com secção quadrangular bem expressiva.
- a habitação do caseiro, em edifício de dois pisos, ocupa o lugar mais elevado destinando-se outrora o nível térreo ao lagar e à adega, separadas pelo acesso ao quinteiro recoberto por vasta latada. Comunicando directamente com a varanda alpendrada, abrindo para nascente, desenvolvem-se os austeros e amplos espaços da residência, separados por tabiques de taipa.
A estrutura dos pavimentos e da cobertura, em quatro águas, é em madeira, tal como em todas as restantes construções já descritas. Manteve-se os 3 espaços principais do 1º piso reconfigurados agora a 3 quartos com banho e a antiga adega foi adaptada ao serviço de pequenos almoços. Dois pequenos anexos de um só piso ladeiam o quinteiro pelo lado noroeste e são agora destinados às lavandarias.
- As rústicas e antigas cortes que encerram o terceiro lado do quinteiro, oposto à habitação, dispõe de um piso rebaixado e de um sobrado a nível superior e dão lugar cada uma a quatro apartamentos duplex, com quarto de banho, kitchenete, sala e quarto com ampla varanda.
- Perto da cavalariça, recuperada para balneários, banho e sala de fitness desenvolve-se uma piscina enquadrada por uma ampla relva.
Este conjunto, digno de nota, sobe uma encosta exposta predominantemente a sul e o extenso muro que o delimita e contém a propriedade ao longo da estrada, assinala as entradas para o solar e assento agrícola com recuos em meia lua.
Houve o cuidado em manter a imagem de um longo e distinto passado, apesar dos ajustes necessários para satisfazer os padrões de exigência do conforto actual. Prevê-se ainda a curto prazo, a construção de um pavilhão destinado a eventos diversos tais como aniversários, casamentos e outro tipo de convívio implantado num local suficientemente afastado do restante conjunto, para evitar qualquer tipo de devassamento visual e acústico.
Dados Históricos
Segundo "Câmara Municipal de Penafiel", 1936, a sua história começa no sec. XII como segue (quote):
«[...] consta que os Monges de Paço de Sousa cederam em 1154 (1116), a D. Ugo, bispo do Porto, dois casais em Zeidoneses, sem particularizarem o lugar em que esses casais estavam situados.
Ora dá-se o caso de haver no lugar da Maragoça, hoje da freguesia de Valpedre [...] uma casa de aspecto nobre, pertencente actualmente ao senhor Visconde de Francos. O portão exterior deste solar está armoriado com um brasão no qual se vê, a dominar as peças heráldicas, um chapéu de bispo em relevo, fortemente destacado, como que a formar um docel sobre o conjunto.
Este brasão, dizem-me, esteve na capela da casa que, desde tempos imemoriais, foi possuída por família distinta, sendo o seu último possuidor Manuel da Cunha Brandão, descendente de D. Afonso V.
[...] presumo que talvez fosse este um dos casais cedidos a D. Ugo pelo referido mosteiro. Este seria o mais importante dos dois casais, ou o destinado a residência do senhorio, e por isso D. Ugo ou algum dos seus sucessores na Sé do Porto, o assinalaria com o chapéu episcopal, em sinal de posse. [...]»
«Por obsequiosa informação do senhor Visconde de Francos, e penhorante deferência do senhor doutor Gaspar Baltar que me permitiu examinar um precioso documento de família, verifiquei que no sec. XVIII houve uma aliança entre as famílias Cunha Brandão e Cardoso da Rocha, por casamento de António José da Cunha Coelho Brandão com D. Maria Barbosa da Conceição Cardoso da Rocha.
O escudo descrito parece-me ser alusivo à referida aliança, embora nele não estejam representadas as divisas heráldicas dos Cunhas Brandões, que também têm brasão próprio. O casco contornado, creio que simboliza a bastardia dos Cunhas Brandões, que descendem de D. Afonso V e de uma dama da corte, segundo os pergaminhos de família. Na capela da casa da Maragoça, no tecto, encontra-se pintado um escudo diferente, no qual a aspa carregada de cinco vieiras, está em timbre (Rochas).
“Mas o chapéu do bispo?” Lembro que, talvez se possa explicar assim o seu aparecimento: andaria pela casa deslocado ou em perigo de se perder, e o dono do prédio, para manter a tradição histórica e honrosa da sua mansão, ao lavrar as armas, mandá-lo-ia reproduzir, não como peça integrante do brasão, mas como simples adorno ou referência heráldica ao passado da sua casa.»
História da Família Terá sido no entanto o Dr. José Rodrigo Cardoso da Rocha - abade de S. Miguel de Fontelas - o primeiro senhor da casa da Maragoça tal como hoje se apresenta.
Teve o dito abade uma filha bastarda, que legitimou e que foi a segunda senhora da casa: D. Maria Bárbara da Conceição Cardoso da Rocha que casou com António José da Cunha Coelho Cardoso de Barbosa, 10º administrador do Morgado das Quintãs, S. Vicente do Pinheiro concelho de Penafiel (ver Eugénio de Andrea de Cunha e Freitas e outros "Carvalhos de Basto" Vol I, Porto, 1977).
O Morgado das Quintãs descendia de Álvaro Soares da Cunha, fidalgo do Porto, que à hora da morte, 20 de Julho de 1557, declara ser filho de D. Afonso V e de Dona Maria da Cunha, depois mulher de D. Sancho de Noronha. A esse Álvaro Soares da Cunha, concede D. João III licença para andar de mula a 22 de Outubro de 1523 (ver Arquivo Nacional da Torre do Tombo Chancelaria de D. João III, livro 45 fls. 114).
D. Maria Bárbara e seu marido tiveram vários filhos entre eles o Dr. José da Cunha Coelho de Barbosa, bacharel em leis, que aos 28 anos apenas era desembargador do Paço (ver Arquivo Nacional da Torre do Tombo leitura de bachareis maço 77 nº 20). Foi o Dr. José o 11º morgado das Quintãs e o 3º senhor da Maragoça a 23 de Junho de 1813 e aí faleceu a 4 de Julho de 1890 (ver "Portugal Dicionário Histórico", vol. II, pág. 99) foi comendador da Ordem de Cristo, deputado da Nação, Vereador em Penafiel, Procurador à Junta Geral do Distrito, etc.
Só depois da morte deste influente político é que a casa da Maragoça foi entregue ao seu parente Gaspar Ferreira Baltar, fundador do jornal O Primeiro de Janeiro, cuja irmão D. Carolina Máxima da Cunha Baltar casada com o primo, 12º morgado das Quintãs, e 4º senhor da Maragoça António da Cunha Coelho, filho do Dr. José da Cunha Coelho de Barbosa acima.
António da Cunha Coelho e sua mulher não tiveram filhos e tinham a sua casa muito endividada. Assim o acima referido irmão de D. Carolina Máxima pagou-lhe as dívidas com a condição de por morte deles a casa das Quintas e Maragoça para ele reverterem.
Foi pois Gaspar Ferreira Baltar o 5º senhor da Maragoça. Dele há bibliografia abundante - ver por exemplo "Pequena História de um Grande Jornal" - "O Primeiro de Janeiro", de 1 de Janeiro de 1968): Por morte do fundador de "O Primeiro de Janeiro" em 1899, a casa da Maragoça ficou para a sua filha, D. Isabel Maria da Cunha Baltar (6ª senhora da Maragoça) Viscondessa de Francos pelo casamento com o 3º Visconde desse título, o Dr. José Henriques de Castro e Solla (1862-1945) juíz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, director durante largos anos do Centro Hípico do Porto (ver "Nobreza de Portugal" Vol II Editorial Enciclopédia Ld. Lisboa 1960).
Não houve filhos do casamento do Visconde e da Viscondessa de Francos pelo o que a casa da Maragoça ficou para a sobrinha e afilhada D. Margarida Machado Baltar em 1949 (ver Carvalhos de Basto acima referido), filha do Dr. Gaspar Baltar (por sua vez filho do fundador de "O Primeiro de Janeiro") formado em Direito, escritor, etc. Foi esta a 7ª senhora da Maragoça. Por morte desta em 1975, solteira e sem geração herdou a casa da Maragoça sua sobrinha e afilhada (filha de seu irmão Gaspar Baltar) D. Maria Margarida Corrêa de Barros Baltar, que é pois a 8ª e actual senhora da Maragoça.
D. Maria Margarida Corrêa de Barros Baltar, nasceu a 23 de Maio de 1950, no Porto (ver Anuário de Nobreza de Portugal, Vol III tomo I, 1985), casou a 17 de Abril de 1972 em São João de Ver, concelho de Vila da Feira, com José Pedro Gramaxo de Sampaio Maia de quem teve três filhos:
- D. Mafalda Maria Baltar da Cunha Sampaio Maia, n. a 17/06/1973, casada c.g.
- João Pedro Baltar da Cunha Sampaio Maia, n. a 04/05/1975, casado s.g.;
- Diogo Manuel Baltar da Cunha Sampaio Maia, n. a 16/11/1976.