Igreja Matriz de Ponte de Lima



 

   Monumentos

      

A Igreja Matriz teve a sua origem e lugar numa ermida em que estava erecta a irmandade do Espírito Santo.
Data de tempos anteriores à restauração e fortificação da vila (1359) por D. Pedro I.
Por cedência da referida irmandade passou a ser igreja paroquial.
No primeiro quartel do séc. XV, como se tornasse insuficiente para a população que aumentara muito, D. João I deu para assento de um novo templo certas moradas de casas que existiam próximas e em 1426 consignou rendimentos confirmados pelos monarcas seguintes.
O corpo da igreja, de uma só nave, ficou concluído em 1446 sob o reinado de D. Afonso V. A torre em 1449. Sobreveio destas obras joaninas o gracioso pórtico gótico-joanino da entrada.

«Igreja Grande» ou «Igreja Maior»
Assim lhe chamava o povo, devido às suas avantajadas proporções.
Em 1567 foi reparada e acrescentada na altura. O arco triunfal foi reformado bem como as abóboras, em pedra e apaineladas, da capela-mor.
As naves laterais são aumento de 1590.
O arrojado arco abatido que sustenta o coro é digno da atenção do visitante. O venerável Arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires, em 1574, visitou esta igreja, elevada à categoria de Colegiada, porquanto aí se cantavam diariamente as horas canónicas, até 1838. Algumas das insígnias canonicais desta Colegiada estão expostas no Museu dos Terceiros.

As grandes obras de transformação interior por que passou a Matriz
No século XVIII fizeram-se obras infelizes que transformaram radicalmente o interior do templo, escondendo a sua maior riqueza: a antiguidade.
Entretanto o tempo nada poupa e surgiu a ameaça da ruína, especialmente do tecto e algumas paredes.
Em 1956 iniciaram-se os trabalhos de reparação e restituição da traça primitiva. Pavimento, cobertura, paredes, tudo foi atingido pelas obras de restauro, que se ficaram a dever à iniciativa do então pároco, Cónego Carlos Francisco Martins Pinheiro, à generosidade dos Pontelimenses, a começar pelos ausentes no Brasil, em subscrição pública, registada no Livro de Ouro e continuada por um «cortejo de oferendas» da Vila e Concelho. Houve uma comparticipação do Ministério das Obras Públicas, através da Direcção de Urbanização.
Após três anos de encerrada ao público, em 25 de Dezembro de 1959, surgiu no seu interior a majestosa e vetusta matriz, mesclada de vários estilos, atestando os vários enxertos que sofreu no decorrer dos tempos. Sob a cal e as argamassas, formosos arcos e o genuíno granito, a rusticidade da silharia e a graciosidade das colunas, ficaram a descoberto e agora se podem admirar.
A superfície total do seu pavimento é de 737 m².

Beato Francisco Pacheco
Ocupa um lugar de destaque nesta Igreja um santo: o Beato Francisco Pacheco, sacerdote que nasceu em Ponte de Lima, filho de Garcia Lopes e Maria Borges de Mesquita.
Entrou na Companhia de Jesus, em Coimbra, no ano de 1585.
Foi professor de Teologia, e depois Reitor do Colégio, em Macau. Esteve vários anos e por diversas ocasiões no Japão, como Missionário, onde sofreu o martírio a fogo lento, em Nagasáqui, a 20 de Junho de 1626.
Beatificado por Pio IX, a 7 de Julho de 1867.
Ponte de Lima, que havia consagrado o nome de uma rua, dedicou-lhe também uma capela nesta sua Matriz, inaugurada em 24 de Outubro de 1965 outrora a capela do Santíssimo Sacramento.

Vitrais da rosácea com a Padroeira ao centro - Os Vitrais
Foram colocados em 1962 pela Vidraria Antunes, Porto. A rosácea, reconstituição do século actual de 2,90 diâmetro, é pintura de homenagem à Padroeira, Santa Maria dos Anjos. Nas naves laterais, os vitrais apresentam os quatro Evangelistas: S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João. Os dois lanternins, frente às capelas laterais, com símbolos alusivos à Santíssima Trindade. Posteriormente, colocaram-se os vitrais das capelas do baptistério do Beato Francisco Pacheco e da Sr.ª da Conceição.
A temática que informa todos estes vitrais, a riqueza do traçado e do seu cromatismo reflectem o ambiente propício a um lugar de oração e harmonizam-se com o estilo da Matriz.

As capelas
A capela do Santíssimo Sacramento, ao gosto da Renascença, foi construída de 1589 a 1590, a expensas do pontelimense Francisco de Guimarães. Após as obras de restauro em 1956, esta capela, como homenagem ao Beato Padre Francisco Pacheco, natural de Ponte de Lima, passou a ser dedicada a esta Santo.
A capela da Expectação, hoje adaptada a Baptistério, era pertença dum particular, com a invocação de Nossa Senhora do Rosário, cabeça do vínculo, com determinados encargos pios, instituído por António Barbosa Amorim e sua mulher Ana Baldaia.
O altar da Senhora das Dores, cuja talha é da autoria do barcelense Miguel Coelho (1729), o da Senhora da Piedade (actualmente da Senhora de Fátima), a abóbada e a frente da capela do Santíssimo (agora do Mártir Francisco Pacheco), são obra dos canteiros limianos da família João Lopes.
A capela de Nossa Senhora da Conceição, logo à entrada da Igreja Matriz, de formosa laçaria de pedra, foi mandada fazer pela viúva de Lopo Pereira, da Casa de Bertiandos, em 1540.

Altar-mor
O altar-mor, obra de cantaria recente e de artistas pontelimenses, foi sagrado por D. Francisco Maria da Silva, Arcebispo Primaz, em 1963. No sepulcro aberto no centro da mesa do altar, estão contidas relíquias de vários santos, vindas de Roma e Braga: Santo Ovídio, bispo, mártir bracarense; S. Tiago Intercio, mártir oriental; S. Martinho de Dume, bispo e confessor; S. Paulo da Cruz, fundador dos Padres Passionistas; S. Domingos Sávio, o santo modelo dos jovens; S. Gabriel das Dores, natural de Assis, passionista; S. João Bosco, o grande educador e taumaturgo dos últimos tempos. O retábulo da Ceia do Senhor, da talha policromada, é do século XVII e foi aproveitado do altar anterior ao restauro.
O sacrário, em bronze, é uma obra de arte, confeccionada pela Casa Salsa, Braga, em que se alia à riqueza do material a beleza do pormenor dos adornos, com simbologia adequada. Pesa 200 kg e tem a altura de 1,61 metros e 72 cm de largo. Foi o sacrário mais rico executado por aquela casa, segundo testemunham os próprios artistas.

Imagens
Merecem especial referência: Nossa senhora da Graça, na capela-mor, de calcário, a mais antiga imagem da Matriz (séc. XVI); Nossa Senhora da Piedade que se encontra no altar da Senhora de Fátima e agora na sacristia, formosa escultura, possivelmente de origem flamenga, séc. XVI-XVII; Presépio, séc. XVII na sacristia; Santa Maria dos Anjos, séc. XVIII, e Nossa Senhora da Expectação, séc. XIX, nas capelas laterais.
Muitas outras imagens pertencentes a esta Igreja, foram retiradas na altura do restauro e actualmente encontram-se expostas no Instituto Limiano – Museu dos Terceiros, na Av. D. Luís Filipe – Ponte de Lima.